[:pb]História do Rock – do virtuosismo ao faça você mesmo (parte 4)[:]

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Os anos setenta começam com uma grande ressaca dos anos sessenta. Além do fim dos Beatles (“O sonho acabou”), a morte de vários artistas icônicos (Jim Morrison, Janis Joplin, Jimmy Hendrix e Brian Jones) e a falta de sentido que foi a Guerra do Vietnã produziram a sensação de que, embora o movimento Hippie tenha abalado os alicerces do mundo, não foi o suficientemente forte para mudá-lo.

Para alguns, os anos setenta são uma época de alienação, representada por um estilo de música que já não estava mais preocupada com as grandes questões, a música disco.

Embora todo o processo de construção artística e musical dos anos sessenta ainda se mantivesse nos anos setenta, afinal muitas das bandas ainda continuavam na ativa (Led Zeppelin, Rolling Stones, The Who e mais um punhado de outras que perseguiam novas sonoridades e o aprimoramento musical), e tenha havido uma reconquista de espaço, na assunção do rock como pilar fundamental da cultura jovem, a sensação era a de que não havia nada de novo sob o sol e que inovar e criar era uma tarefa das mais difíceis.

O Rock em sua acepção mais tradicional – se pudermos chamar assim – intensificou sua potência e versatilidade por meio de uma sonoridade mais dura, contudo, suas nuances e individualidades ficaram um pouco mais claras.

Dois movimentos musicais, contudo, destoaram um pouco do tradicionalismo dos lugares comuns e, embora tenham se iniciado na década anterior, foi nesta que atingiram seu ápice, são eles: o Rock Progressivo e o Heavy Metal.

Ambos possuem suas características próprias, contudo, mantendo alguns aspectos comuns, principalmente no que diz respeito ao virtuosismo dos músicos (segundo alguns, por influência da Música Erudita e do Jazz Fusion).

O Rock Progressivo se caracteriza por peças musicais longas – às vezes divididas em várias partes ou suítes. A virtuosidade musical fica evidenciada nos longos solos e na concepção temática dos álbuns – que já fora, em certa medida, produzida por algumas bandas dos anos sessenta.

Há vários nomes icônicos do Rock Progressivo, mas, possivelmente o mais emblemático seja o Pink Floyd, que em 1973 lançou um dos álbuns mais cultuados da História da Música: The Dark Side Of The Moon.

Lançado em primeiro de março de 1973, o álbum pode ser considerado uma síntese musical do que era e é o Rock Progressivo. Desde a elaboração da temática até o processo de gravação que envolve muitos elementos que transcendem a ideia comum do que é fazer música.

Em suas dez faixas, o álbum explora elementos intensos e inovadores que criam e exigem uma nova perspectiva de audição. The Dark Side Of The Moon se tornou um dos álbuns mais famosos da História do Rock, se tornando referência mesmo para aqueles que não são entusiastas do gênero.

Na outra margem, mas nem por isso menos interessante e também emblemático do período é o surgimento – ou a reorganização potencializada do Rock do final dos anos sessenta, que também se tornará um gênero que lançará sua influência por todo o período seguinte até os dias de hoje – do Heavy Metal.

Embora elementos musicais considerados naturalmente mais “pesados” não fossem necessariamente novidade (muito do que foi produzido no final dos anos sessenta e durante a década de setenta foi Hard Rock), o début oficial daquilo que iria ser conhecido como Heavy Metal se deu no ano de 1970, com o lançamento do álbum emblemático da banda britânica Black Sabbath.

Repleto de sonoridades sombrias e letras diferentes dos padrões comuns, se referindo a temas que escandalizavam um tanto quanto o mainstream, o primeiro álbum chocou tanto pela exploração de possibilidades musicais virtuosas e inusitadas, vocais diferenciados e, principalmente uma postura que era capaz de diferenciar o gênero de boa parte do que fora feito antes.

A banda Black Sabbath se tornou a fundadora de um dos gêneros (ou subgêneros se preferirmos) mais marcantes do Rock e, talvez, aquele que produziu uma nova tradição e alcance, com diversos tipos de releituras a partir dessa época até os dias de hoje. O Heavy Metal se tornou sinônimo de Rock e demonstrou grande fôlego e resistência diante de muitas das tendências musicais que surgiriam ainda pela frente.

Na contramão de tudo o que estava acontecendo nos anos setenta em termos musicais (e por que não arriscar: estéticos), teremos um dos gêneros mais extravagantes surgidos até então e que, aparentemente, não soava como nada que foi feito antes.

Como uma espécie de resposta ao virtuosismo musical e técnico do que se fazia na época, teremos um gênero que adotara uma postura diametralmente oposta, cuja máxima era: “Do it yourself”. Trata-se do Movimento Punk.

O Movimento Punk surge não apenas como um movimento musical, mas também social – por mais absurdo que pareça, há sim uma tentativa de organização, implicando uma mudança de posturas individuais e coletivas diante de uma sociedade capitalizada e muitas vezes decadente.

Caracterizado pelo slogan do Faça você mesmo, o Punk Rock era justamente isso, uma tentativa de mostrar que a expressão artística estava ao alcance de todos, principalmente dos jovens, que utilizavam a música mais como expressão de suas frustrações do que como uma manifestação de gosto artístico, em alguns casos há uma clara politização da música, embora, o processo de catarse coletiva pareça na maioria das vezes mais importante do que a música em si.

Há diversos nomes importantes no Movimento Punk, podemos citar três de grande alcance e relevância: Sex Pistols, The Clash e Ramones.

O Punk Rock é o porta voz das dificuldades da vida cotidiana urbana, dos males existenciais e expressa de maneira cabal muitos dos dramas dos jovens, dando um timbre e uma voz estridente e rascante à potência máxima de guitarras com arranjos simples e democráticos.

O apelo visual serve e muito para fortalecer a imagem e, algumas vezes, um modo de vida que causa estranhamento e, talvez por isso mesmo, proponha reflexões sobre a condição humana, seja em seu aspecto social quanto em suas disposições de vivência cultural e consumo.

Assim como os outros movimentos musicais da época, o Punk deixará seus frutos, ainda que diluídos em outros gêneros e incorporados por outras vertentes, e manterá as suas características marcantes, tanto no tipo de música que cultiva quanto nas posturas e imagens que se tornaram exemplo de rebeldia e descontentamento.

A própria natureza do tipo de som executado produziu mais de uma dezena de bandas e álbuns de sucesso (como sempre, a indústria cultural fez bom uso, mas a seu favor, dos elementos essenciais), sendo que muitos deles ainda são ouvidos por pessoas que não tendem a ligar o tipo de música produzida com a mensagem que ela visava.

Apesar dos pesares, muito do que o Punk Rock produziu em termos artísticos e musicais servirá de nutriente para a geração seguinte, que será capaz de incorporar em seu aprendizado muito do que aprendeu com ele.

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