História do Rock – Os primórdios (parte 1)

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Momentos históricos são eventos complexos cuja exatidão é um pouco difícil de mapear, mas, com o intuito de organização, costuma-se escolher uma data que possa representar o momento catalisador desse processo e adotá-la.

No caso da história do Rock, não é diferente. Mas, antes de chegarmos lá, precisamos estabelecer alguns pontos.

Para mapear as circunstâncias que deram origem ao mais importante movimento musical e cultural do século XX, precisamos voltar um pouco, e ir até o final do século XIX.

O primeiro estilo musical autêntico norte-americano foi o Ragtime, advindo da fusão entre a síncope da música africana e da música erudita europeia. O Ragtime será um dos principais elementos que servirá para o desenvolvimento de boa parte de outras tendências musicais norte-americanas, sobretudo o Jazz e o Blues.

O ponto alto do estilo se dá no final do século XIX e início do século XX, principalmente com composições de Scott Joplin (Maple Leaf Rag é um excelente exemplo).

Devido a sua popularidade, o Ragtime serviu de fundamento não apenas para diversos estilos de Jazz, mas sua fusão com outros ritmos populares, como a Folk music e o Blues (entre outros, como o Gospel) deu origem ao que se costuma designar com o nome de Rhythm and blues.

E aqui é que começa a nossa história.

No fundo, no fundo, aquilo que reconhecemos e designamos comumente de Rock and Roll, nada mais é do que Rhythm and blues, ao menos neste primeiro momento.

Alan Freed ou Moondog é tido como o primeiro a utilizar a expressão Rock and Roll para descrever a música Rhythm and Blues, se referindo especificamente à canção My daddys rock me, de Trixie Smith.

E isso não foi à toa, numa época de segregação racial e ânimos exaltados, os jovens brancos da época eram frequentadores assíduos de espetáculos musicais de Rhythm and Blues, o que, evidentemente, gerava um grande descontentamento dos setores mais conservadores da sociedade – existem vários depoimentos de artistas negros da época (veja-se Little Richard e Chucky Berry, por exemplo) relatando o tipo de segregação e violência a que eram submetidos, contudo, nem mesmo a mais forte repressão era suficiente para evitar que jovens brancos os frequentassem.

Para lidar com a situação, já que a música e a atitude eram aceitas, porém não eram permitidas, uma maneira de assegurar a fatia do mercado consumidor era desvincular a produção musical de sua herança cultural, por conta disso, a ideia de cunhar uma palavra nova para se referir a um gênero estabelecido foi uma ferramenta criada pela indústria cultural.

Assim aquilo que era antes a representação de uma identidade cultural cuja matriz remontava a uma identidade racial constituída (a chamada Race music), passará a ter maior amplitude, passando a agradar a um público bem mais amplo.

Foi justamente nessa época o aparecimento de artistas brancos que vincularam sua imagem ao que se considera o início do Rock, alguns dos nomes mais conhecidos como Bill Halley, Elvis Presley e Jerry Lee Lewis. Enquanto isso, muitos artistas negros, por diversas razões, saiam de circulação.

Algumas canções historicamente válidas para acompanhar como se deu esse processo, são as seguintes: My Daddy Rocks Me, com Trixie Smith; Strange Things Happening Every Day, com Sister Rosetra; Rock A While, com Goree Carter; Rock The Joint, com Jimmy Preston; Good Rockin’Tonight, com Wynonie Harris; Rock Around The Clock, com Bill Haley & His Comets; Rocket 88, com Jackie Breston; Hound Dog, com Elvis Presley; Johnny B. Goode, com Chucky Berry; Good Golly Mis Molly, com Little Richard e Great Balls Of Fire, com Jerry Lee Lewis – claro, entre muitas outras.

Mesmo com seus altos e baixos, o Rock seguiu sua trilha, ainda que por caminhos algumas vezes inesperados e pouco a pouco conquistou um espaço e uma influência não apenas como música popular de entretenimento, mas como um novo modo de vida e uma atitude peculiar diante da realidade.

Continue acompanhando nossa caminhada pela história do Rock e veja aonde essas história vai parar.

 

 

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